Evolução da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) para a Doença de Barrett: Mecanismos, Diagnóstico e Manejo Preventivo

Abstract

Introdução: A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma das condições gastrointestinais mais prevalentes na prática clínica, caracterizada pelo retorno crônico do conteúdo gástrico ao esôfago, com potencial de causar sintomas persistentes e lesões da mucosa. Quando o refluxo ácido é prolongado e não adequadamente controlado, pode ocorrer a substituição do epitélio escamoso normal por epitélio colunar especializado, configurando a Doença de Barrett. Essa condição é reconhecida como o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma esofágico, neoplasia de elevada morbimortalidade. A compreensão dos mecanismos envolvidos nessa progressão, bem como estratégias diagnósticas e preventivas, é fundamental para reduzir desfechos adversos. Objetivo: Analisar os principais mecanismos fisiopatológicos da progressão da DRGE para a Doença de Barrett, discutir os métodos diagnósticos atuais e revisar estratégias de manejo preventivo baseadas em evidências consolidadas. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em diretrizes de sociedades gastroenterológicas internacionais e brasileiras, além de estudos clínicos observacionais e revisões sistemáticas amplamente reconhecidas. Foram priorizados trabalhos publicados em periódicos de alto impacto e documentos oficiais que abordam fisiopatologia, diagnóstico endoscópico e estratégias terapêuticas preventivas. Discussão/Resultados: A progressão da DRGE para a Doença de Barrett está relacionada à exposição crônica da mucosa esofágica ao ácido e à bile, resultando em inflamação persistente, estresse oxidativo e alterações celulares adaptativas. Fatores como obesidade abdominal, hérnia hiatal, sexo masculino e tabagismo aumentam significativamente esse risco. O diagnóstico baseia-se na endoscopia digestiva alta com confirmação histológica, sendo recomendada vigilância periódica conforme o grau de displasia. O manejo preventivo inclui controle rigoroso do refluxo com inibidores da bomba de prótons, mudanças no estilo de vida e, em casos selecionados, terapias endoscópicas ablativas, que demonstram redução da progressão para neoplasia. Conclusão: A evolução da DRGE para a Doença de Barrett representa um processo multifatorial e potencialmente evitável. O reconhecimento precoce de fatores de risco, aliado a estratégias diagnósticas adequadas e ao manejo preventivo eficaz, é essencial para reduzir a incidência de complicações graves, incluindo o câncer esofágico.

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