Áreas protegidas e acesso à terra: o caso de El Chaltén no Parque Nacional Los Glaciares (Patagônia Argentina)
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Couffy-sur-Sarsonne
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A incorporação do sul da Patagônia no território nacional argentino é o resultado de dinâmicas originadas em espaços centrais e associadas à expansão do capitalismo sobre espaços estratégicos. Em continuidade com a Campanha do Deserto, a criação dos primeiros Parques Nacionais assumiu funções geopolíticas sob a ideia de soberania nacional. No início, as áreas protegidas eram consideradas peças fundamentais para o desenvolvimento nacional e permitiam certas atividades humanas, como a pecuaria e os assentamentos humanos. No entanto, desde 1980, estes usos territoriais foram categorizados e começaram a restringir essas utilizações históricas. Incentivados pela ideia de conservação que exclui a sociedade, estes espaços começam a provocar processos de precarização territorial. Ao mesmo tempo, o turismo nacional promovido nos Parques Nacionais está estandardizado às exigências internacionais. El Chaltén é uma pequena cidade localizada no sudoeste da província de Santa Cruz, na Patagônia Argentina. Entre os problemas territoriais, destaca-se a dificuldade de acesso a terrenos para habitação, especialmente por estar rodeado pelo Parque Nacional Los Glaciares (PNLG). A partir de uma abordagem crítica, o objetivo deste trabalho é revelar as relações de poder entre os agentes que se apropriam do espaço dentro e no entorno da área protegida. Por meio de uma análise qualitativa, os processos de apropriação de terras em El Chaltén e no PNLG são apresentados com base nas disputas jurisdicionais que impõem usos e acessos diferenciados à terra. Os resultados mostram que os limites da área protegida constituem uma fronteira de acesso terrestre para os habitantes de El Chaltén, ao mesmo tempo que se tornam um espaço estratégico para a acumulação e reprodução do capital.
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